O ano é 2009.

A Wiz é convidada para o concurso do Cotonete – uma plataforma portuguesa de música e rádios online.
Os Wizards ficam todos contentes porque adoram música.

O briefing pede para modernizar e simplificar o layout e dar maior ou menor destaque a alguns dos conteúdos.
Até aqui tudo bem.

O briefing também lança um desafio extra. Diferenciar o Cotonete da concorrência – a qual na altura já não era pouca.
Entre plataformas nacionais e internacionais com versão PT, pelo menos 6 sites muito semelhantes já davam música ao mercado.
Mais coisa menos coisa, todos incluíam Notícias, “Tops” Musicais, Agenda de Concertos e DJs, artigos sobre o passado e o futuro da música, novos talentos e lançamentos – e ofereciam a possibilidade de criar uma rádio pessoal e levá-la para qualquer site ou blog através de um widget.

Os conteúdos e funcionalidades estão fechados. O formato “portalóide” é obrigatório.
Então temos de nos diferenciar de uma outra forma qualquer.
Muitos neurónios mais tarde, começa a ganhar forma a ideia dos botões.

1, 2, 3, som

Ilustração: Susana Carvalho

A ideia que vai diferenciar a nossa plataforma de música começa pelo conceito de Interface.

Interface é o conjunto de meios que as pessoas usam para interagir com um sistema. Num carro são os controlos que temos à mão e ao pé: os pedais, o volante, a alavanca das velocidades e todos os outros botões e que nos permitem dar ordens ao carro.
Todos os carros têm a mesma interface e nós aprendemos o padrão.

Por outro lado, as interfaces vão herdando o significado de outras interfaces.
Assim, a experiência ensina-nos a associar um triângulo vermelho ao perigo.

 

De sistema para sistema, as interfaces vão-se copiando. É por isso que quando encontramos coisas assim, sabemos o que fazer para sair quentinho:

 

O mesmo acontece com as coisas que usamos para ouvir música. Muitos antes da internet chegar às pessoas – e da música chegar à internet – já a maioria de nós sabia interagir com sistemas de som:

A nossa proposta desenvolve-se a partir daqui.
De acordo com esta interface reformulamos a estrutura inteira do site.
Cada botão significa uma área. Cada área tem as suas subáreas e funcionalidades:

PLAY: Põe a tocar
Sub-áreas: Ouvir Rádios on-line, Podcasts e Dj Sets+ Ver Vídeos

PAUSE: Pausa para descobrir mais
Sub-áreas: Notícias Actualidade + Lançamentos + Ao Vivo + Passatempos + Tops

REWIND: Rebobinar. Ir Para trás: o passado, a História, o que eu quero voltar a ouvir
Sub-áreas: Artigos da História da Música + Ouvir Playlists Oldies + Músicas Pedidas + Arquivo DJ sets + Arquivo de Entrevistas

FORWARD: Ir para a frente: o futuro
Sub-áreas: Novos Talentos + Artigos sobre Tendências Musicais + Agenda de Concertos e DJs

REC: Gravar: criar algo novo, gravar para o computador
Sub-áreas: Criar Rádio / Criar Podcast / Downloads

Para completar a interface clássica, incluímos mais 3 botões contemporâneos que alcançaram a cultura popular por meio de um fenómeno chamado iPod:

Mais botões!

REPEAT: Repetir: o que já conheço e quero ouvir outra vez
Sub-áreas: Tops + Músicas mais ouvidas + Vídeos mais vistos + Artigos mais lidos + Artistas mais Pesquisados

SHUFFLE: Ouvir aleatoriamente
Botão de acção: mistura todos os géneros musicais numa rádio e inicia a emissão.

MENU: Ver todas as opções
Toda a Estrutura e Mapa do Site

 

A coisa bate certo e ganha toda uma nova forma quando passa para as mãos dos designers. Desde o feeling da homepage…

© Wiz 2009

… à interpretação dos menus.

© Wiz 2009

 

Durante o processo salta-nos à vista que um menu deste género – e todo o layout – “pede” para ser personalizado e skinado.

Skins para a malta

© Wiz 2009

Por isso propomos um novo formato publicitário para o nosso cliente vender aos seus anunciantes: botões personalizados.

Esta é a nossa proposta. Criar uma nova interpretação para uma velha interface. Correr o risco de colocar símbolos onde costumam haver palavras. Fazer do Cotonete uma plataforma com uma experiência de navegação única.
Tudo em nome da música porque ela bem merece.

 

Aconteceu há uma mão-cheia de anos atrás.
A Wiz foi convidada para o concurso de uma operadora móvel que queria entrar nas redes sociais, especialmente no Facebook.

O Facebook era a 2ª maior rede social em Portugal, logo a seguir ao Hi5.
Ainda era uma experiência, uma coisa nova e um sítio onde se encontravam mais vezes os amigos do que as marcas.
A coisa tinha de ser bem pensada.

Com alguma pesquisa (não foi preciso muita), comprovámos o que estava a acontecer com a concorrência que já tinha posto um pé no Facebook. Estava a sofrer o que sofrem as marcas com uma forte componente de serviço a clientes quando entram numa comunidade online pouco madura: um verdadeiro espancamento.

Basicamente, toda a minha boa gente que tinha questões pendentes – ou quaisquer outros motivos de reclamação – aproveitava
os murais das marcas para revelar ao mundo a sua insatisfação. Tanto em Portugal como lá fora. E não eram nada meiguinhos.
Com a nossa Marca não ia ser diferente. Tínhamos de ter tacto.

Então apresentámos talvez a ideia mais absurda, arrojada e arriscada que alguma vez saiu da Wiz:
um plano maquiavélico de manipulação mental cujos resultados seriam difíceis de prever.

Levas tu ou dou eu?

Ilustração: Virgílio Peres

Tudo começa com muito trabalho prévio nos bastidores. No Serviço a Clientes da nossa Marca recrutamos e formamos 20 colaboradores para participarem num projecto secreto. Nome de código: PayBack Team. Cada membro desta equipa recebe formação em Redes Sociais e cria um perfil pessoal no Facebook – para fins profissionais.

Entretanto, o Serviço a Clientes da Marca sofre um ataque. Um bando de galinhas invade os escritórios.
Obra de um cliente frustrado, pois claro. O caos é generalizado.
Naturalmente, o vídeo da “câmara de segurança” vai parar ao Youtube. O acontecimento espalha-se e gera burburinho.
Mas calma, faz tudo parte do nosso plano.

A Marca responde ao “ataque”.
Lança um microsite dedicado a todas as pessoas com vontade de fazer maldades aos colaboradores do seu Serviço a Clientes.
Neste microsite, através de pequenos jogos full vídeo, os Clientes podem exorcizar os seus demónios: disparar um canhão de tomates aos colaboradores, atingir alvos que abrem alçapões e lançam colaboradores à água, mexer muito depressa o rato para criar uma corrente eléctrica que dá pequenos choques aos colaboradores. E por aí fora.

Mais importante ainda, o microsite inclui mecanismos para os clientes da nossa Marca submeterem as suas experiências menos positivas com o nosso Serviço a Clientes. Os testemunhos submetidos no micro-site são analisados e uma série de clientes são Convidados a participar num evento… o PayBack Day.

Chega o Grande dia do PayBack Day, o clímax do nosso plano.
À entrada deste evento, os Clientes convidados são surpreendidos com o último grito dos gadgets: um telemóvel 3G, oferta da Marca, carregado e pronto a partilhar as experiências do dia.

O evento é festa e uma aventura, uma mistura de Jogos sem Fronteiras e Wipeout.
Os Convidados e a PayBack Team são apresentados e misturados em equipas. Passam um dia em cheio numa série de jogos e dinâmicas de grupo.

Vingança! Mas só a brincar...

No meio disto tudo contamos que venha à tona uma coisa típica da Natureza Humana, a Empatia. É a tendência que temos para “colocar-nos no lugar do outro” quando o conhecemos um bocadinho melhor.

Esta é a nossa grande aposta: criar empatia entre os Clientes e o Serviço a Clientes. Dizem que é uma das formas mais eficazes de reduzir o ímpeto nas reclamações inflamadas de clientes para empresas.

Fruto da Empatia, neste dia de loucura, talvez os nossos Clientes partilhem fotos e vídeos com o seu telemóvel 3G novinho em folha – e assim contribuam para criar conteúdos positivos para a Marca.

Talvez estes Clientes – que são os mais propensos a inflamar as redes sociais – realizem que o Serviço a Clientes é feito por pessoas de carne e osso – como eles próprios. Criar esta percepção é um gatilho psicológico extremamente eficaz para reduzir tensões.

Talvez os Clientes adicionem um ou outro membro da PayBack Team à sua lista de amigos – e a partir daqui lhe peçam apoio personalizado sempre que precisarem. Talvez a coisa continue a crescer por aqui. Se cada um dos 20 membros da PayBack Team prestar Apoio Personalizado a 100 destes novos Clientes-Amigos, são menos 2.000 pessoas interessadas em despejar frustrações nas redes sociais da Marca.

Talvez quem sabe, algumas destas 2.000 pessoas até nos ajudem no que mais precisamos: defender a Marca do espancamento que nos aguarda.

Talvez sim ou talvez não – porque esta coisa da comunicação, especialmente nas redes sociais, ainda hoje está muito longe de ser uma ciência. Mas uma coisa é certa, todos precisamos de amigos quando nos espera um espancamento.

 

Corre o ano de 2008.
Portugal vê uma luz ao fundo do túnel.
É a luz do comboio de alta velocidade – o TGV – que está quase aí a chegar.

Então a Wiz recebe o convite para apresentar a sua visão de um site para o nosso próprio TGV português.
O objectivo é mostrar ao público as vantagens deste novo meio de transporte, ainda antes dele ser uma realidade:
viajar a 350 km/h, Lisboa-Porto em 1h15, Lisboa-Madrid em 2h45, áreas de trabalho e entretenimento, internet wireless,
cafetaria, catering – mais uma catrefada de benefícios ecológicos, económicos, demográficos e sociológicos para o País.

O relato que se segue é uma descrição breve e concentrada do site proposto pela Wiz.

Ilustração: Susana Carvalho

Chegamos ao site e vemos o TGV pronto a partir. O sistema detecta que Lisboa é a estação mais próxima de nós.
Pergunta: Porto ou Madrid – para onde queremos seguir? Escolhemos Madrid.

Entramos no TGV e começa a viagem. Uma consola mostra-nos o percurso, a (curta) duração da viagem e a nossa velocidade:
a crescer até aos 350 Km/hora.

Somos convidados a explorar o comboio por dentro: da ergonomia dos assentos ao belo do bar, tudo numa visita virtual “full vídeo”. Em todos os momentos temos um livro de bordo interactivo mesmo aqui à mão. Um livro, sim, porque os tablets ainda não foram inventados.

O livro de bordo apresenta-nos os benefícios ecológicos, económicos, demográficos e sociológicos deste cilindro que nos transporta. Tanto em versão light para consumo imediato (recheada de tópicos e infografias) como numa versão alargada para download.

Agora começa a parte gira.
Porque o tempo voa online, esta viagem de 2h45 passou em pouco mais de 2 minutos. Surge o aviso na consola: chegámos a Madrid. Somos convidados a espreitar pela janela.

Fotos de Madrid presentes no Flickr em 2008

De onde vêm estas fotografias?
De uma (outra) plataforma on-line onde milhões de pessoas partilham as suas fotografias com o mundo: o Flickr.
Por meio de uma ligação à API do Flickr, podemos ver fotos de cada uma principais cidades do percurso, sem sair do TGV.

Da mesma forma, feeds de outras plataformas mostram-nos outras coisas: eventos culturais em Madrid, locais turísticos em Madrid, hotéis em Madrid, ofertas de emprego em Madrid, quem sabe até casas para arrendar em Madrid. Em Madrid e nas outras capitais europeias, por aí fora, até ao limite da imaginação e dos feeds de informação.

Um mundo de informação real e actualizada, ao encontro dos interesses do turista, do homem de negócios e do potencial emigrante. Esta é a nossa proposta para o site do TGV.

E o site pergunta: para onde queremos seguir?

 

You’ve made it. And also Unit9, Google Chrome Team and Disney Interactive Media Group.

Find Your Way To Oz‘ is a new Chrome experiment inspired by the upcoming feature film ‘Oz The Great and Powerful’. Developed by UNIT9 the 3D environment is built entirely on WebGL and CSS3. Find you own journey…

Making off: http://www.html5rocks.com/en/tutorials/casestudies/oz/

Over a year has passed since the beginning of protests in Middle East and North Africa, and severe human rights abuse still endures.

There is no respect for freedom of expression. Protesters are being censored by their governments. Internet access is being blocked in these countries.

And without words, there can be no freedom.

Freedom Dictionary aims to give protesters a voice, using your help. Just choose a word, set it free and share it using social media networks. We will print 11 copies of the dictionary and send them to 11 countries where revolutions are still taking place.

SET YOUR WORD FREE @ freedomdictionary.org

freedom dictionaryA Wiz Interactive / Torke Project for Amnesty International Portugal

 

22.12.11
Retro-fofinho

Começou há uns três, quatro anos, quando o Nuno Markl escreveu um artigo sobre o Verão Azul (dizia ele, entre outras coisas, que quem não sabia assobiar a música do Verão Azul merecia morrer). O artigo  foi partilhado por email, ainda na altura (horrível!) das chain-letters. Hoje em dia o nosso email agradece ao Facebook. E de repente não havia jantar em que uma pessoa dissesse “tom sawyer” e ficasse tudo horas a falar sobre as séries, os desenhos animados, os jogos, etc. E quando alguém replicava que não conhecia o Agora Escolha, leva com um ar de desprezo. Pobres Almas pensamos nós.

É uma tendência que tem andado a cristalizar, normalmente com a chegada aos 30 anos. Na comunicação vemos isso, as marcas perceberam. Um dos coleccionáveis que estive meeeeeeeeeeesmo para fazer (e não fiz já não sei porquê) foi de uma revista qualquer que oferecia jogos de tabuleiro e peões e mikados e coisas da nossa infância.

Chamo-lhe “retro-fofinho”. E já entra em muitos briefings. E  como partilhar é o que está a dar, e estes fenómenos começam quase sempre, 99% das vezes, via pessoas, aqui está um destes fenómenos que tem tido bastante visibilidade. Chama-se “Back to the future” e basta ver para perceber. Eu já sei o que vou fazer para oferecer à minha mãe nos anos dela. Finalmente uma serventia para aquelas fotos dos anos 80.

A Reuters publicou o seu best of de 2011, 24 imagens que descrevem o que aconteceu no nosso mundo. Uma delas chamou-me à atenção, e aquando do mouse over na foto confirmei o palpite. Era mesmo Portugal. Não sei a história que está por detrás. Mas podemos começar a imaginar.

“Ó Vizinha fiquei sem bateria no iPhone e vim aqui dizer-lhe…”

Diz a Reuters: “Two women talk in the Alfama neighborhood in Lisbon.”

2 FACES é uma exposição que inaugura a 14 de Julho, às 18h30, no Cinema São Jorge, e que estará aberta ao público até 31 de Julho.

2 FACES revela 10 histórias de pessoas que tiveram um passado problemático e “recuperaram a face”, exprimindo a representação de duas forças que residem no indivíduo: capacidade de transformação e a força para agir. Com o objectivo de retratar a capacidade de mudança inerente ao ser humano, 2 FACES explora a expressão “ter duas caras”, que remete para a ideia de desconfiança, mas que também pode ser interpretada como sinónimo de uma renovação onde aprendizagem passada contribui para criação de um futuro diferente.

A exposição 2 FACES ganha expressão sob três formas primordiais de retrato: a fotografia, a entrevista e o desenho.

As fotografias e entrevistas (presente) recolhidas são entregues a 10 ilustradores profissionais que, através do desenho (passado), completam a dicotomia de cada pessoa.

As ilustrações estão a cargo dos ilustradores portugueses Afonso Cruz, José Carlos Mendes, Nuno Saraiva, Pedro Carmo, Pedro Gonçalves, Pedro Zamith e Rui Morais, dos espanhóis Antónia Santolaya e Enrique Flores e do pintor Ricardo Paula.

As fotografias são da autoria de Luís Mileu, co-autor do projecto com Ricardo Henriques numa parceria com a revista CAIS.

2 FACES tem o apoio da EGEAC, do Movimento SIM e de várias entidades de solidariedade. Quanto à produção teve o apoio da Ocyan, da agência WIZ que fez o sítio e do atelier MAGA que criou toda a imagem gráfica.

A exposição é completada com o site interactivo que fornece mais pormenores sobre cada artista e sobre as vidas de Luís, Josinda Mário, Anabela, Amílcar, Ilda, José, António, Manuel e Maria.